O Que é a Depressão Pós-Parto?

O que é a depressão pós-parto?

Novo estudo confirma que há muito o que fazer para ajudar a mulher quando o bebê chega. Veja por que o apoio do pai é fundamental nessa hora

Ana Paula Pontes e Marcela Farrás - Revista Crescer

Quando você decide ter um filho, a expectativa é grande para saber como é o rostinho dele, se está saudável ou com quem parece. É a realização do seu sonho. Mas, de repente, você começa a se sentir triste, angustiada, com muita facilidade de chorar por coisas que antes não te comoviam. Esse sentimento é chamado “baby blues” (ou depressão pós-parto num estágio bem leve) e atinge entre 10 e 15% das mães. Há também quadros de depressão pós-parto mais acentuados, que se manifestam em cerca de 50% das mulheres que acabaram de ter um filho. A mãe não tem vontade de fazer nada, só sente tristeza, e tudo o que quer é sumir daquela situação.

Uma pesquisa publicada pelo Archives of Women’s Mental Health acaba de confirmar o que já era pregado por muitos especialistas. Em todos os estágios de depressão pós-parto, a mulher precisa de apoio para sentir segurança e se recuperar. Além da culpa dos hormônios e de uma possível tendência a ser deprimida, segundo o estudo, a tristeza pode surgir também por conta das dúvidas da mãe quanto à eficácia dos cuidados que ela tem com a criança. Como esse sentimento surge, geralmente, quando a mulher chega em casa e não tem mais a assistência de enfermeiras e médicos, o papel do pai da criança é fundamental, pois ele é a pessoa mais próxima da mãe naquele momento.

Os autores do estudo analisaram um grupo de mães ao completarem duas semanas e seis meses após o nascimento. Houve casos em que a depressão se manifestou apenas na segunda semana, outros apenas no sexto mês e, ainda, aqueles que mantiveram a sensação intensa de angústia durante os dois períodos.

As mães que se mostraram depressivas apenas na segunda semana depois da chegada do bebê apresentaram um aumento da eficácia no cuidado com os filhos entre a segunda semana e o sexto mês, o que resultou na diminuição gradual dos sintomas físicos da depressão. Já aquelas que manifestaram tristeza no sexto mês, relataram a redução do apoio social ao longo do mesmo período. A partir dos depoimentos, os estudiosos perceberam que ter pessoas presentes durante o pós-parto pode diminuir a intensidade da tristeza da mulher ou, até mesmo, acabar com a depressão, pois ela pode dividir preocupações, deveres e momentos de insegurança.

Perigo para a amamentação
Outra pesquisa realizada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) mostra que mães com sintomas de depressão pós-parto têm mais chance de deixar de amamentar o bebê antes do tempo. Isso é verdade.

Antes de chegar a esse estágio, há muito o que fazer. E ninguém precisa se sentir culpado por estar assim, justamente no momento em que o bebê chegou. Há terapias e, inclusive, medicamentos que podem ser tomados mesmo durante a amamentação.

“Toda mulher, depois do nascimento do bebê, tem uma série de alterações hormonais, o que faz com que ela alterne momentos de tristeza e alegria”, diz Alessandro Danesi, pediatra do Hospital Sírio-Libanês (SP). Isso é mais comum quando trata-se do primeiro filho do casal, pela insegurança com os cuidados do bebê, mas não quer dizer que a oscilação de humor não possa surgir com os próximos filhos.

O papel dos médicos
Ainda no pré-natal, os pais devem ser preparados psicologicamente pelo obstetra sobre a dificuldade que existe no começo. A ida ao pediatra ainda na primeira semana é fundamental. Mais do que tranqüilizar o casal sobre a saúde do bebê e tudo o que pode acontecer com ele, como o soluço, o espirro, dicas de aleitamento, é hora de conversar com o pai sobre a colaboração e paciência que ele precisa ter nesse começo, tanto com a mãe quanto com o bebê.

“Elas precisam descansar, se alimentar, passear. E não têm de se sentir piores porque estão se cuidando”, diz Alessandro. Ficar um mês em casa somente atendendo às demandas do bebê estressa a mulher. Aceite a ajuda do companheiro e da família porque é normal a mulher se atrapalhar com a maternidade.

“O maior erro da família é mudar o dia-a-dia em função do bebê. O filho nasce para se juntar à vida dos pais”, diz Alessandro. Essas medidas são simples e importantes no combate à depressão. Depois do primeiro mês, a mulher já se sente melhor. O casal mais adaptado com o bebê, e ele aos pais.

--------------------------------------------

Passe a fase de resguardo livre de preocupações ..

Assim que o bebê, você é obrigada a encarar os enigmas da quarentena: mais um monte de dúvidas voltam a rondar sua cabeça antes mesmo de deixar a maternidade e haja paciência para replanejar a rotina e entender as transformações que acontecem no seu corpo. A confusão já começa pelo nome dessa fase imediata ao pós-parto.

Diferente do que sugere o senso-comum, a recuperação não dura 40 dias o prazo vai variar de acordo com a atividade que você pretende realizar e com o tipo de parto escolhido."Tanto o parto normal quanto a cesariana são ótimos, desde que bem empregados.

Só não dá para fazer normal porque a mãe tem medo da cicatriz ou agendar uma cesariana (e comprometer a formação do bebê) simplesmente por capricho" , afirma o ginecologista Artur Dzik, diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. "Parto bom é aquele com final feliz: mãe e filho no quarto quando tudo termina.

E, para as mais vaidosas, ressalto que, hoje em dia, mulher nenhuma deixa sequer de usar biquíni por causa de marcas do parto, a cicatriz é discreta e fica muito bem escondida".

Isso, claro, se você respeitar as recomendações da fase de resguardo. São dicas simples, mas com repercussão direta no seu bem-estar. A seguir, veja tudo o que você pode fazer e o que precisa ser evitado nessa fase tão delicada. Minucioso, o dr. Artur Dzik explica os detalhes em relação à prática de exercícios físicos, alimentação, tratamentos estéticos e, como não poderia deixar de ser, sexo. Confira!

>> Voltar a dirigir

Parto normal: é preciso esperar um mês para retomar as atividades ao volante. Este é o tempo necessário para o seu útero voltar ao tamanho original e, portanto, é importante evitar fazer força. O repouso também é necessário para que a cicatrização da episiotomia corte vaginal feito para facilitar a passagem do bebê.

Cesárea: também é preciso um mês para assumir a direção.


>> Caminhar sozinha

Parto normal: só depende mesmo da sua disposição. Mas para andar na rua, é melhor esperar uma semana, quando a episiotomia já estiver mais bem cicatrizada.

Cesárea: por causa do corte abdominal, bastante profundo, é melhor evitar caminhar sozinha no primeiro mês. O ideal é restringir os movimentos ao mínimo necessário.


>> Fazer ginástica

Parto normal: um mês depois da chegada do bebê os exercícios de musculação, alongamento, além dos treinos aeróbios estão completamente liberados.

Cesárea: para garantir a cicatrização de todas as camadas da pele, dois meses sem exercícios são exigidos das mulheres que recorrem à cesariana.


>> Tomar banho sem ajuda

Parto normal: se o bebê nasceu pela manhã, à noite você já está livre para saracotear sozinha pelo quarto e ir ao banheiro sem depender de companhia. Nesse caso, a disposição conta muito mais do que a debilitação em si.

Cesárea: por causa do corte no abdômen, pelo menos um dia de inteiro repouso é necessário. Para tomar banho, você vai precisar da ajuda de uma enfermeira nas primeiras 24 horas após o parto, mas não se preocupe com as dores. Atualmente, os especialistas usam uma anestesia chamada intradural com morfina. Ela demora três dias para ser completamente metabolizada e, portanto, livra vocês dos piores incômodos (aqueles logo após o fim da cirurgia).


>> Pintar o cabelo

Parto normal: no caso de tratamentos estéticos, as restrições são as mesmas do período gestacional, independentemente do parto. Isso porque agentes químicos podem comprometer a qualidade do leite materno.

Cesárea: tinturas, ácidos para a pele e medicamentos estão proibidos, salvo sob autorização médica.

>> Comer à vontade

Parto normal: não existem aqui restrições no cardápio. O importante é, ao contrário, reforçar a dieta, com a inclusão de suplementos vitamínicos, ferro e cálcio. As precauções são necessárias para garantir a sua saúde e a produção de leite materno durante os primeiros seis meses de vida do bebê.

Cesárea: vale a mesma recomendação para as mães que fizeram parto normal. Fale com seu médico e veja se é necessário fazer alguma mudança na suplementação que ele receitou durante o pré-natal.


>> Fazer sexo

Parto normal: é preciso, no mínimo, um mês de resguardo. Nesse período, acontece um sangramento natural, que costuma incomodar, e ainda há um pouco de dor vaginal por causa da episiotomia. É preciso esperar a cicatrizar completa do corte vaginal, evitando lesões musculares no assoalho pélvico, na bexiga e até no reto (parte final do intestino). Mas, além das alterações emocionais causadas pela chegada da criança, há mudança hormonal que diminui a libido feminina, principalmente na fase de amamentação. Mas, se este não for o seu caso, não deixe de pedir ao seu médico a receita de um anticoncepcional. Existem pílulas especiais para a mulher que está produzindo leite.

Cesárea: aqui também é necessário um mês de repouso. Mesmo não havendo a cisão vaginal, o corte na barriga exige bastante cautela na cicatrização. Em uma semana, os pontos já caíram ou forma removidos, mas as camadas mais profundas da pele demoram cerca de 30 dias para se restabelecerem completamente. Atrapalhar esse processo favorece a aparição de uma hérnia abdominal. Trata-se de uma saliência arredondada, que precisa de uma cirurgia para ser removida (além do desconforto estético, ela compromete o funcionamento do intestino).

Recuperação Pós Parto




Depois da hora do parto toda a mulher, ao chegar em casa, tem como 100% da preocupação cuidar do filho. Mas engana-se quem pensa que os cuidados devem ser somente com os recém-nascidos. Você e o seu bebê têm que ter os mesmos cuidados. E é claro que como sempre, nesta hora surgem mitos e crendices populares. O ideal é você estar atenta para saber o que é mito e o que é verdade nos cuidados pós-parto.

O período pós-parto é popularmente conhecido como quarentena ou resguardo. Na verdade, como esse período é mais recheado com mentiras do que com verdades, o mais aconselhável é você procurar o seu médico para tirar as dúvidas.

Esse período de resguardo pode ir até a sexta ou oitava semana pós-parto. Esse é o tempo que os seus órgãos vão precisar para voltar ao estado normal, de antes de você engravidar.

O útero da mulher cresce quase que 50 vezes durante a gestação e no local onde a placenta ficou, agora estão pequenas feridas que precisam ser cicatrizadas, por isso mesmo esse tempo de resguardo tem que ser respeitado; caso contrário a mulher corre o risco de ter infecções. A febre pode ser um sintoma dessa infecção, então ao menor sinal de febre procure logo o médico.

É recomendado também que você procure o médico caso o sangramento normal que ocorre após o parto não cesse até o 40º dia.

Outro ponto que pode te incomodar é a episiotomia, aquele corte que o médico precisa fazer entre o ânus e a vagina para que o bebê saia com facilidade; se inchar ou o local ficar dolorido você pode colocar uma bolsa de gelo para aliviar os sintomas, mas antes pergunte ao seu médico se pode!

A higiene nesse período é mais do que necessária, por isso mesmo não deixe de fazer todos os banhos de assento que o medito vai lhe recomendar; e também não deixe de usar os produtos indicados por ele. Tudo isso vai ajudar na cicatrização e no desaparecimento de qualquer foco de infecção.

E não se esqueça que o período de resguardo é para você descansar. Por isso mesmo durma bastante e retome as atividades diárias aos poucos. Depois de 15 dias após o parto a musculatura do abdômen volta quase que 70% da forma original. Por isso mesmo o repouso é necessário, mas não vá ficar deitada o dia todo; o esforço entre levantar e sentar ajuda a estimular a musculatura.

Um mito antigo que foi passado de geração à geração era de que após o parto não se podia tomar banho de corpo inteiro, e tão pouco lavar os cabelos. Isto não é verdade, ao contrário você deverá manter todos os seus hábitos de higiene diários.

Caso você tenha prisão de ventre neste período peça ao seu médico uma solução e lembre-se de não tomar remédios e receitas caseiras milagrosas, tudo que você ingere é passado para o seu bebê através do leite, por isso esteja atenta. Só tome o que seu médico prescrever.

A mesma dica é válida para as rachaduras que por ventura você possa ter nos bicos dos seios, não utilize pomadas ou outra substancia sem consultar o seu médico.

Não carregue peso nos 30 primeiros dias, nem se esse peso for o filhote mais velho. Tudo isso é para que você se recupere mais rápido e possa curtir o seu bebê da melhor forma possível, sem complicações ou sustos.